A sério que sim
13.9.17

Vamos imaginar que um autarca do PSD compra, por cerca de 70% do valor de mercado, uma casa a um familiar próximo de vários directores de uma construtora. Vamos também imaginar que este hipotético autarca do PSD se "esquecia" muito convenientemente de declarar parte desse negócio ao Tribunal Constitucional. Vamos ainda imaginar, para melhor compor este opaco ramalhete, que depois a autarquia presidida por este imaginário autarca atribui a essa construtora obras por ajuste directo de valor superior a cinco milhões de euros (e a maior parte desse valor por uma obra cercada de polémicas). O chinfrim que não iria nas redacções de jornais, a comoção que não se sentiria nos pivots e comentadores dos canais de notícias, o falsete que não viria de Galambas, Catarinas e Mortáguas.

 

Agora substitua-se "autarca imaginário do PSD" por "Fernando Medina, autarca real do PS". O que se vê, se ouve, se cheira? Uma descontracção notável - com excepção da capa de um jornal menos lido que a Marketeer, e um pequeno quadrado manhoso e manhosamente escondido na primeira página do Público.

jornais-medina-20170913.jpg

link do postPor João Sousa, às 13:14  comentar

6.12.16

Inegável discípulo do seu mestre, Fernando Medina demonstra possuir a mesma paixão pela transparência - e por ocupar cargos para os quais não foi eleito. Perante a costumeira derrapagem na data de conclusão de três das obras que desfiguram Lisboa, a Câmara optou por, na melhor tradição de Estaline, apagar do seu site as datas inicialmente previstas.

 

Entretanto, quando questionada sobre as causas para os atrasos, a Câmara de Medina sacudiu, na melhor tradição socialista, a água para capotes alheios - porque a culpa nunca é do PS. No caso do Largo da Graça, desculpa-se com os arraiais dos santos populares: ficamos assim a saber que a Câmara é tão lassa no planeamento das obras que não consegue antecipar a ocorrência de uma festividade por cuja organização é directamente responsável! No caso de Campolide, desculpa-se com a Carris que precisou de um percurso alternativo: ficámos portanto a saber que a Câmara, durante as semanas ou meses que passou naquela zona a planear a obra, nunca reparou nuns veículos razoavelmente grandes que passavam por lá com suspeita regularidade.

 

Lisboa não merece esta gente. Mas os lisboetas, que se vão esquecer de toda esta bandalheira e elegê-lo nas próximas autárquicas, merecem-no por inteiro.

link do postPor João Sousa, às 10:40  comentar


 
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