A sério que sim
25.1.17

Ouve-se agora, enquanto se aguarda nas estações do Metro de Lisboa, o anúncio à obtenção online das facturas da compra de passes e bilhetes. Diz a senhora que ir ao site é "fácil, rápido, seguro e evita tempo de espera nas filas".

 

Não.

 

Fácil? Seria muito mais fácil se, em vez de delegar no cliente a necessidade de ir a um site de internet colocar nem sei que dados, pedir o documento em questão e imprimi-lo a suas expensas - o Metro de Lisboa entregasse a factura no acto da compra como a lei obriga. Rápido? Muito mais rápido seria se o Metro o entregasse no momento da transacção em vez de fazer o cliente gastar do seu próprio tempo. E evitar perda de tempo nas filas? Ora, se o papelinho nos fosse entregue logo no acto da compra, tal como é exigido às outras empresas, não perderíamos tempo algum além do que já gastáramos a comprar o passe ou bilhete.

 

Ao contrário do que o Metropolitano de Lisboa nos pretende fazer crer, nada neste processo é um favor ao cliente (que também é contribuinte). O Metropolitano de Lisboa, empresa do Estado, não faz (impunemente) aquilo que o Estado exige (sob pena de punição) a qualquer tascazita de esquina: entregar factura no acto da transacção. O Metropolitano de Lisboa, em pleno ano de 2017, não tem  forma de imprimir o papelinho de caca nas suas bilheteiras e máquinas porque não as modernizou. O sr. Metropolitano de Lisboa até chegou a abanar a "falta de fundos" como argumento para não o ter feito atempadamente. A isto eu respondo: tretas. A administração do Metro, em nome do governo que a nomeou, definiu prioridades: acalmar sindicatos e comprar votos "devolvendo direitos e garantias" aos funcionários do Metro - em detrimento de tudo o resto.

 

Perante um orçamento que não é elástico e um descoberto amor pela apresentação de um défice abaixo dos 3%, só existiam dois caminhos possívels: ou havia dinheiro para aumentar ordenados e regalias e (re)admitir funcionários; ou havia dinheiro para as manutenções básicas, cartolina para bilhetes e modernizações necessárias. Optaram pelo caminho mais cínico e cobarde e o resultado está à vista dos que usam o Metropolitano: funcionários satisfeitinhos e caladinhos, sindicatos anestesiados - e um serviço prestado a níveis muito mais erráticos e degradantes do que em qualquer momento dos tais "anos negros da austeridade".

link do postPor João Sousa, às 08:24 

De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

 
subscrever feeds
Statcounter
blogs SAPO